PAU E PEDRA / PALO Y PIEDRA / WOOD AND STONE

PAU E PEDRA, apresentada na Galeria Bolsa de Arte (Porto Alegre) foi a primeira exposição em que Felizardo trabalhou com arquivos digitais feitos a partir de seus negativos para produzir grande ampliações. As impressões foram feitas utilizando uma impressora jato-de-tinta e uma Light Jet. O texto a seguir, do próprio Felizardo, introduziu e apresentou esse trabalho.

 

"Uma das coisas mais intrigantes e mais bonitas da fotografia é o conceito de imagem latente – a imagem que se forma por ação da luz mas permanece oculta. Existe, está lá, no filme, mas não pode ser percebida, nem pelo mesmo olhar que a concebeu. Só depois de tratada por agentes químicos é que se revela para nós. Antes, latente, era apenas uma possibilidade. (Dizem que quando Garry Winogrand morreu encontraram em sua escrivaninha mais de duzentos filmes fotografados e não revelados. E lá ficaram, até que alguém os tirasse da poética latência em que estavam imersos e os fizesse mergulhar em agentes reveladores.)

Durante muitos anos, as ampliações das fotografias que eu fazia ficaram conhecidas pelo controle rigoroso das tonalidades e pelos detalhes minuciosos obtidos pelas câmeras de grande formato, preservados e acentuados em cópias bem pequenas. Fiz isso por 20, 30 anos, e continuo satisfeito com os resultados que obtive. Na verdade, nunca pensei em abandonar esse caminho. Mas a fotografia dá espaço, também, a outros tipos de latência, como a que permite que os negativos fiquem adormecidos por muito tempo, preservando imagens que só irão nascer muitos anos depois de concebidas ou que as fotografias venham a receber novas interpretações, que alterem não só a estrutura criada pela distribuição das tonalidades como o próprio tamanho da imagem final.

Essa exposição – que reinterpreta imagens feitas tempos atrás, algumas há mais de vinte anos – trabalha, entre outras coisas (paus e pedras, por exemplo), com esse tipo de latência. Preserva minha preocupação com a gradação tonal, preserva a riqueza dos detalhes – noutro nível, é claro – e recebe, com alegria, a colaboração do fantástico exército digital que invadiu as hostes fotográficas, responsável pela reinterpretação das fotografias em ampliações grandes o suficiente para alterar a relação delas com o espectador."

 

 

PAU E PEDRA, presentada en la Galeria Bolsa de Arte  (Porto Alegre) fue la primera exposición en que Felizardo ha trabajado con archivos digitales hechos directamente de sus negativos para producir largas ampliaciones. Las impresiones fueron hechas con chorro de tinta y con una Light Jet. El siguente texto, del mismo Felizardo, introdujo y presentó ese trabajo.

"Una de las cosas más intrigantes y más bonitas de la fotografía es el concepto de imagen latente – la imagen que es formada por acción de la luz pero permanece oculta. Existe, está allá, en la película, pero no puede ser percibida, ni por la misma mirada que la concebió. Solo después que se la trate en agentes chímicos se hace visible para nosotros. Antes, latente, era no más que una posibilidad. (Dicen que cuando se murió Garry Winogrand encontraron en su escritorio más de docientas películas fotografiadas y no reveladas. Y se quedaron allá, hasta que alguien las sacase de la poetica latencia en que estabam imersas y las hiciera bañar en agentes reveladores.)

Por muchos años, las ampliaciones de mis fotografías fueron conocidas por un riguroso control de las tonalidades y por los detalles minuciosos obtenidos por las camaras de gran formato, preservados e enfatizados en pequeñas “copias”. Eso lo hice por 20, 30 años, y sigo satisfecho con los resultados obtenidos. En verdad, nunca pensé en cambiar esa ruta. Pero la fotografía le dá espacio, también, a otras clases de latencia, como la que,permite que los negativos estén durmiendo por mucho tiempo, preservando imágenes que solo nacerán muchos años después de concebidas ó que las fotografías vengan a recibir nuevas interpretaciones, que alteren no solo la estrutura creada por la distribuición de las tonalidades como las mismas dimensiones de la imagen final.

Esa exposición – que reinterpreta imágenes hechas hace tiempo, algunas hace más de veinte años – trabaja, dentre otras cosas (palos y piedras, por ejemplo), con esa clase de latencia. Preserva mi preocupación con la gradación tonal, preserva los ricos detalles – en otro nivel, claro está – y recibe, con alegría,  la colaboracion del fantástico ejército digital que invadió las huestes fotográficas, responsable por la reinterpretación de las fotografías en ampliaciones suficientemente grandes para que sean capaces de alterar la relación de ellas con el espectador."

 

 

PAU E PEDRA (Wood and Stone), presented by the Bolsa de Arte Gallery (Porto Alegre) was the first of Felizardo’s exhibition employing digital files produced from his negatives to make large prints using both an inkjet printer and a Light Jet printer. The following text, by the author himself, introduced this work.

"One of the most beautiful and intriguing things about photography is the concept of latent image – the image that is formed by light yet remains hidden. It exists, it is there, on film, but cannot be perceived, even by the eyes that conceived it. Only after being immersed in chemical agents does it reveal itself to us. Until then, latent, it is only a possibility. (They say that when Garry Winogrand died more than two hundred unprocessed films were found in his desk. And they remained like that, until they were taken from the poetic latency in which they were immersed and were submerged in developing agents).

For many years my photographs have been recognized for their rigorous tonal control and the minute details obtained by the large-format cameras, retained and emphasized through small prints. I have done this for 20, 30 years, and I am still pleased with the results. In fact, I have never thought of leaving this path. But photography also makes space for other kinds of latency, like the one which allows negatives to remain sleeping for a long time, preserving images that will be born many years after they were conceived; or which allows photographs to receive new interpretations, altering not only the structure created by the tonal distribution but even the size of the final image.

This exhibition – reinterpreting images made many years ago, some of them more than 20 years ago – deals, among other things (like wood and stone, for example), with this kind of latency. It retains my concern for tone, it retains the richness of detail – on a different level, for sure – and accepts, gladly, the help of the fantastic digital army that has invaded the world of photography, responsible for reinterpreting the images in enlargements big enough to alter the relationship they establish with the spectator."